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Fernando Haddad


São Francisco, de Portinari, está entre as grandes obras do Masp
Entre Nós – a figura humana no acervo do Masp

Exposição nas Galerias 1 e 2 do CCBB Brasília, de 18 de julho a 18 de setembro, cem obras dos grandes mestres de todos os tempos. Apresentação de duas obras recentemente adquiridas: ‘Candombe’, de Pedro Figari, cerca 1930, e ‘O Artista’, de Heitor dos Prazeres, 1959. Entrada franca.

Van Gogh, Gauguin, Goya, Velászquez, Manet, Modigliani, Degas, Renoir, Picasso são alguns dos grandes nomes da arte mundial que estarão unidos a mestres brasileiros como Candido Portinari (São Francisco), Djanira, Vicente do Rego Monteiro, Carlos Prado, Burle Marx e José Pancetti na exposição Entre Nós – A figura humana no acervo do Masp.

Essa é uma oportunidade rara para conferir de perto obras antológicas como Ressurreição de Cristo, de Rafael, Ecce Homo ou Pilatos apresenta Cristo à multidão, de Jacopo Tintoretto, A arlesiana, de Vincent Van Gogh, Êxtase de São Francisco com os estigmas, de El Greco, dentre muitas outras obras-primas.

O Masp – Museu de Arte de São Paulo detém a maior coleção de arte da América Latina. Os curadores Rodrigo Moura e Luciano Migliaccio, da equipe de curadores do Masp, oferecem um grande e rico passeio pela história da arte.

A ideia é apresentar a transformação da sociedade e da própria arte ao longo dos séculos tendo como referência a representação da figura humana.

Estarão expostas obras de alguns dos grandes nomes da arte em diferentes movimentos artísticos, desde a arte pré-colombiana à fotografia moderna, passando por ícones da arte Yorubá e pela arte dos períodos do Pré-Renascimento, Renascimento, Iluminismo, Impressionismo, Pós-Impressionismo, Modernismo e arte contemporânea.

A EXPOSIÇÃO

Na História da Arte, a representação da figura humana foi um meio de demonstração de poder do clero e da aristocracia, de adoração a deuses e santos, de mimetização do real e até de questionamentos ligados ao conceito de arte.

É esta diversidade que a mostra Entre Nós apresenta ao público. Abrangendo um arco histórico que começa nos anos 900-1200 D.C., com as peças pré-colombianas, e chega aos dias de hoje, a exposição estabelece um recorte cronológico e um diálogo entre as distintas formas de representação e culturas.

O percurso começa com peças do acervo que reúnem as interpretações do sagrado na arte da Europa Medieval, da África e da América pré-colombiana, compondo um diálogo entre os diferentes eixos da coleção do Masp.

Da Europa pré-renascentista, a mostra traz Virgem com o menino Jesus (1310-20), atribuída ao Maestro de San Martino alla Palma, e Cristo Morto (1480-1500), de Niccoló di Liberatore dito l’Alunno.

O Renascimento, momento em que a pintura se volta para o humanismo, está representado nas obras de artistas holandeses como Oficial Sentado, 1631, de Frans Hals, e Retrato de um desconhecido, (1638-40), de Anton Van Dyck.

O pintor e gravador espanhol Francisco Goya y Lucientes está presente com Retrato da condessa de Casa Flores (1790-1797) em diálogo com A educação faz tudo (1775-1780), do francês Jean-Honoré Fragonard. As obras, em composição com dois dos principais nomes da pintura acadêmica brasileira do século 19 – Interior com menina que lê (1876-1886), de Henrique Bernardelli, e O pintor Belmiro de Almeida (século 19), de José Ferraz de Almeida Junior – evocam o surgimento do Iluminismo europeu e a busca por um ideal civilizatório brasileiro durante o Segundo Reinado.

A partir dos séculos 19 e 20, os artistas trabalham a sensibilidade da cor e da forma, explorando a experiência plástica, como em Banhista enxugando a perna direita (1910), de Pierre-Auguste-Renoir, e A amazona – Retrato de Marie Lefébure (1870-75), de Edouard Manet. Nus (1919), da pintora francesa Suzanne Valadon, tem como referência a concepção da cor puramente decorativa do pós-impressionismo para expressar o desejo de liberdade e a comunhão com a natureza como ideais femininos.

Pablo Picasso, Busto de homem (O atleta), 1909, questiona de maneira provocadora os gêneros e limites da tradição pictórica. Desta época, a mostra traz, ainda, obras emblemáticas de Vincent Van Gogh, A arlesiana (1890); Paul Gauguin, Pobre pescador (1896); Amadeo Modigliani, Retrato de Leopold Zborowski (1916-19); e uma série de esculturas de Edgar Degas que mostra a evolução dos movimentos de uma bailarina – Quarta posição para frente, sobre a perna esquerda, Bailarina descansando com as mãos nos quadris e a perna direita para frente, Bailarina olhando para a planta de seu pé direito (todas realizadas entre 1919-1932), dentre outras, e obras como Mulher saindo da banheira (fragmento), 1919-1932.

O Modernismo brasileiro está presente em obras de Carlos Prado, Varredores de rua (Os garis), 1935; Roberto Burle Marx, Fuzileiro naval (1938) e Vendedora de flores (1947), obra doada ao museu durante a SP-Arte/2015; Candido Portinari, São Francisco (1941); e Maria Auxiliadora da Silva, com Capoeira (1970).

As marcas dos intensos conflitos sociais e políticos do início do século 20 estão na obra do pintor e muralista mexicano Diego Rivera, O carregador (Las Ilusiones), 1944. A mostra inclui ainda a obra Duas amigas (1943), do pintor ítalo-alemão Ernesto de Fiori, que deixou a Alemanha fugindo da repressão nazista e se tornou um nome influente do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940.

A criação de um acervo fotográfico também tem sido uma constante na história do museu, que as sistematizou, entre 1991 e 2012, por meio das doações da coleção Pirelli Masp, com trabalhos de fotógrafos brasileiros ou que possuam ligações com o Brasil.

É o caso da fotógrafa de origem suíça Claudia Andujar, cuja série Yanomami (1974), feita a partir de longos períodos de imersão nesta cultura indígena, dialoga na mostra com a fotografia de João Musa, Barbara Wagner, Miguel Rio Branco e Luiz Braga.

A exposição, com patrocínio do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, se encerra com a instalação de Nelson Leirner, Adoração (Altar para Roberto Carlos), 1966, que remete a uma nova forma de sagrado nos dias atuais.

Serviço:
Entre Nós – A figura humana no acervo do Masp
Local: Centro Cultural do Banco do Brasil Brasília
Abertura: 18 de julho
Visitação: de 18 de julho a 18 de setembro de 2017
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 21h
Entrada franca.

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